terça-feira, 28 de setembro de 2010

Perdido

      
Olhei para o relógio, e vi que meu tempo estava acabando. Estava na hora de eu partir, bem longe de Amy. Pensar nisso me fazia tremer, e dava um grande aperto em meu peito me impedindo de respirar. Mas era isso que eu devia fazer, não aguentava mais. Eu sei que disse para ela que naquela noite que estava tudo bem, e que a verdade não me importava. Posso lembrar de cada palavra dita, cada expressão de tristeza em seu rosto.
" - Londie, eu... preciso te dizer uma coisa. - Ela gaguejou, a principio achei que não era nada sério, mas quando encarei aqueles olhos castanhos claros, eu fiquei sério, e ouvir tudo que ela disse, com o rosto perplexo, e ela apenas fitava o chão sem conseguir encontrar meus olhos, que diziam a tamanha dor que aquelas pequenas palavras estavam me afetando. Em todo esses anos ela mentiu para mim, em todos esses anos ela me fez apaixonar-se por uma mentira. Sei que eu deveria dizer algo. Mas eu apenas esqueci de como falar, e respirar. E ficamos por longos minutos no silêncio, que pareciam horas. E os soluços de Amy se prolongavam a cada minuto que se passava, e isto me doía, me doía saber que ela sentia dor, e eu estava aqui parado.
- Eu... Amy, está tudo bem. Isto não vai mudar em nada. - Foi tudo que eu conseguir dizer, mesmo sabendo que era mentira. Eu e ela sabíamos que mudaria, sim. Que nunca seria a mesma coisa, depois dessa confissão. - Venha cá. - E abracei-a fortemente, tentando reconfortá-la. Tentando fazer com que ela acredite que não ia mudar, e que seria a mesma coisa."
E penso que deu certo, porque em poucas semanas ela estava radiante novamente, e eu apenas tentei fazer o mesmo. Mesmo que meu coração se rasgasse a cada vez que eu a via. Não conseguiria nunca tolerar aquela mentira... Isto eu tinha certeza.
Sei que era errado fazer aquilo com ela, fazer juras de amor sabendo que nunca às cumpriria. Mas isso a fazia tão feliz. Me doía ser tão hipócrita com ela, ser bem pior que ela foi... Me encolhi. Eu estou sentado nessa grama e totalmente perdido, sei que eu me arrependeria por ter tomado essa decisão, mais não tinha como voltar atrás, ela nunca me perdoaria. Como eu sou covarde. Por que eu nem se quer consigo simplesmente dizer "adeus" à ela? É tão simples. Mas apenas não consigo, não quero vê aqueles olhos cheios de dor outra vez. Eu não suportaria. Então o que me resta é apenas seguir, seguir apenas com as lembranças da dona do meu coração.

(Leydiana Thais C. de Freitas)

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