- O que você acha? Rápido demais? - Perguntou Jhey, encarando-me.
- Se você o ama... - minha voz falhou. E eu baixei cabeça e fiquei fitando o vazio, para conter a tristeza que havia em meus olhos.
Seus delicados dedos quentes pousaram sobre o meu queixo, puxando-o para cima, obrigando-me a encarar o seus olhos cheios de dúvidas.
- Há algo de errado, Andy?
Era a hora para dizer toda a verdade, era a hora de dizer aquelas pequenas três palavras, que eu nunca consegui dizer. Mas tudo que eu disse foi...
- Não... nada. Eu só preciso ir para casa, tenho que... fazer meu projeto de ciência... - mentir. Meu projeto de ciência já estava pronto a uma semana atrás.
- Mas você não disse que já tinha terminado? Fica vai! Preciso de você, sua opinião é importante para mim.
- Eu tenho mesmo que ir. Desculpe-me.
Covarde! Covarde! Covarde!
- Tudo bem. Eu entendo...
Beijei sua testa como fazia de costume. E fui até a porta, e despedi-me da Sra. Mayson com um aceno. Já lá fora, percebi que Jhey minha observava pela janela de seu quarto, dei um olhar de volta, e ela apenas fingiu que fechava a janela. Eu não deveria ter perdido a chance de dizer tudo que sentia, como eu fui tolo.
Algo meio inesperado saiu de mim, e quando eu menos vi, já estava na frente da porta da casa de Jhey outra vez, tocando a campainha. A Sra. Mayson atendeu, surpresa.
- Olá de novo, Sra. Mayson. Você poderia chamar a Jhey para mim? - Eu disse, certo do que iria fazer.
- Claro, só vai levar um minuto.
Minhas mãos suavam, como toda as outras partes do meu corpo. Mas eu não fugiria, não dessa vez. Hoje ela saberia.
- Algum problema, Andy? - disse Jhey, com sua voz de menininha.
- Na verdade, não é um problema. É uma confissão, apenas.
- Uma confissão? Certo. Diga.
- Jhey, eu... - Engoli em seco. - Jhey, eu te amo.
(Leydiana Thais C. de Freitas)

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